Análise de Traços Semânticos (SFA) para dificuldades de evocação de palavras: um guia para fonoaudiólogos

Oli Cheadle, fonoaudiólogo (HCPC/RCSLT)
Guias
Resumo rápido

O que é a Análise de Traços Semânticos? Explorar, em conversa, os principais traços (categoria, uso, ação, propriedades, localização, associação) para apoiar a capacidade de evocação de palavras do falante.

Para quem é mais indicada? Ideal para afasia expressiva leve ou moderada com compreensão razoável. Pode ser adaptada, com apoio adicional, para afasias mais graves.

Por que usar a Análise de Traços Semânticos? Comprovadamente melhora a nomeação dos itens treinados e desenvolve a estratégia de circunlóquio para reparos na vida real.

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A Análise de Traços Semânticos (SFA, do inglês Semantic Feature Analysis) é uma terapia baseada em evidências amplamente utilizada na afasia expressiva, que apoia a nomeação ativando o conhecimento semântico da pessoa e as conexões entre conceitos relacionados. O terapeuta ajuda o paciente a explorar diferentes traços da palavra-alvo, por exemplo: para que serve, como é, a que categoria pertence e onde é encontrada.
A SFA pode ser usada com pacientes que apresentam sinais de comprometimento do sistema semântico. Indicadores disso podem ser erros semânticos (por exemplo, “maçã” no lugar de “pera”) e resposta a pistas semânticas em atividades de nomeação.
Ela também é usada com outras populações além das pessoas com afasia expressiva. O mapeamento semântico no estilo da SFA é amplamente usado nas escolas para ampliar o vocabulário e a compreensão leitora. A SFA também pode ser usada para apoiar a manutenção da nomeação na afasia progressiva primária.

Por que usar?

A SFA é uma abordagem simples, prática e baseada em evidências (veja “Evidências” abaixo). Embora seja principalmente uma terapia focada no déficit, ela também pode tornar a pessoa com afasia mais hábil no circunlóquio (ou seja, “falar em volta” da palavra) como estratégia de reparo ou de autopista.

Para quem a SFA é mais indicada?

Pacientes com afasia expressiva leve ou moderada que:
• Têm compreensão razoável
• Respondem a pistas semânticas
• Conseguem transmitir pelo menos algumas informações-chave sobre o alvo com apoio (fala, escrita, desenho, gesto)

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Evidências

Em um estudo de caso único, Boyle & Coelho (1995) verificaram que treinar substantivos com SFA gerou ganhos consistentes, mas a generalização para itens não treinados foi variável.

Uma revisão de Boyle (2010) relatou melhora da nomeação em diversos tipos de afasia (por exemplo, anômica, de condução, de Broca, de Wernicke, transcortical motora e afasia relacionada ao TCE), com a maioria dos participantes na faixa leve a moderada e variabilidade no grau de generalização e manutenção.

A metanálise de Maddy et al. (2014) encontrou efeitos de tratamento de médios a grandes para a nomeação por confrontação visual de itens treinados na afasia, mas, novamente, generalização limitada ou inconsistente para palavras não treinadas e para a fala encadeada. Uma revisão sistemática de Efstratiadou et al. (2018) chegou a conclusões semelhantes, mostrando resultados favoráveis para itens treinados, com heterogeneidade metodológica entre os estudos.
Wambaugh et al. (2014) verificaram que a SFA também pode apoiar a evocação de verbos e que combinar a SFA com terapia no nível da frase (por exemplo, o Verb Network Strengthening Treatment) pode trabalhar melhor os objetivos de fala encadeada.

Kiran & Thompson aplicaram um protocolo no estilo da SFA e verificaram que treinar itens atípicos (complexos) às vezes pode promover a generalização dentro da categoria para itens mais típicos. Por exemplo, trabalhar palavras menos comuns (como “pinguim”) resultou em generalização para palavras mais comuns (como “sabiá”). No entanto, treinar palavras mais comuns não trouxe os mesmos benefícios para as palavras menos comuns.
Freed & Torstensen (2013) verificaram que tanto a SFA quanto a PACE melhoraram as palavras treinadas na afasia de Broca crônica, com alguma generalização.

Do que você vai precisar para uma sessão de SFA

• Um conjunto de figuras ou objetos reais. Comece com itens familiares do dia a dia. O foco principal serão os itens do conjunto que o paciente tem dificuldade em nomear; por isso, dependendo da capacidade de evocação dele, você pode precisar de mais figuras.
• Uma caneta e quadros de SFA impressos.

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SFA Chart
Exemplo de plano de sessão de SFA

1. Aquecimento e preparação
• Apresente a SFA:

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“Vamos trabalhar descrevendo as palavras mais difíceis. Vamos falar sobre coisas como a que grupo elas pertencem, para que servem e de que são feitas. Isso muitas vezes ajuda a palavra a vir.”

• Selecione um conjunto de figuras. Priorize alvos funcionais, já que a generalização para itens não treinados tende a ser limitada.

2. O terapeuta demonstra um exemplo completo:
Mostra o quadro com a figura da palavra-alvo no centro (no exemplo abaixo, “café”). O terapeuta responde a cada pergunta, uma de cada vez, e anota as respostas no quadro.
• Categoria: “A que grupo pertence? … É uma bebida.”
• Uso: “Para que serve? … A gente bebe para ter energia.”
• Ação: “A gente coa, serve e toma aos golinhos.”
• Propriedades: “Quente, preto ou marrom, tem um cheiro gostoso.”
• Localização: “Fica na cozinha ou na cafeteria.”
• Associação: “Me faz pensar em xícaras, grãos, colocar o papo em dia com os amigos”.
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3. Aplique a SFA com 5 a 10 alvos que o paciente tem dificuldade em nomear.
Peça ao paciente que nomeie as figuras-alvo. Para aquelas que ele tiver dificuldade em nomear, siga o processo abaixo.
Elicie os traços semânticos quadro a quadro. Anote os traços no quadro à medida que avança. Dê bastante tempo ao paciente. Se ele estiver com dificuldade, ainda não diga o nome do alvo: primeiro, conduza-o pelas perguntas da SFA. Isso pode ajudá-lo a nomear o item mais adiante na atividade.

As seis perguntas da SFA

Para substantivos
• Categoria: “Que tipo de coisa é?”
• Uso: “Para que serve?”
• Ação: “O que isso faz, ou o que você faz com isso?”
• Propriedades: “Como é a aparência ou a textura?”
• Localização: “Onde você encontra ou guarda isso?”
• Associação: “Com o que isso combina ou do que faz você lembrar?”

Para verbos
• Quem: “Quem costuma fazer isso?”
• Por quê: “Por que você faz isso?”
• Como: “Que parte do corpo ou ferramenta você usa?”
• Onde: “Onde isso acontece?”
• Quando: “Quando acontece? Com que frequência?”
• Resultado: “O que acontece depois? O que muda?”

Faça perguntas curtas. Dê tempo ao paciente. Elogie as pistas que ele der, seja qual for a forma de expressão.
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4. Se o paciente tiver dificuldade em responder às perguntas semânticas, você pode oferecer mais apoio, gradualmente:

Mais ajuda:
1. Perguntas de escolha entre duas opções (por exemplo, “Fica na cozinha ou no jardim?”)
2. Perguntas de sim/não (“Fica no jardim?”)
3. Apontar/gesticular/desenhar (“Você pode me mostrar ou desenhar onde fica?”)
4. Pista de completar frase (por exemplo, “Fica na…”)
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5. Depois que todos ou a maioria dos traços forem identificados, peça ao paciente que tente nomear o alvo novamente.
Se o paciente ainda tiver dificuldade, o terapeuta pode tentar:
1. Dar uma pista de completar frase, por exemplo: “De manhã, tomei uma xícara de … bem forte”
2. Dar uma pista fonêmica
3. Dar uma pista escrita
4. Dizer a palavra-alvo para o paciente repetir
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6. Quando o paciente evocar ou repetir a palavra, reforce e retome os traços:
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“Isso, café! É aquela bebida quente e preta que costuma ficar na cozinha”.

Como tornar a SFA personalizada e significativa

Para tornar a SFA o mais funcional e útil possível, priorize alvos que o paciente precise usar com frequência e que sejam importantes para ele. Como as melhoras tendem a se limitar, em grande parte ou totalmente, aos alvos treinados nas sessões, é fundamental escolher as categorias e o vocabulário certos.
Você pode adaptar a SFA para trabalhar nomes de familiares e amigos (por exemplo: Com quem a pessoa é casada? Quem são os filhos dela? Onde ela mora? Como ela é? Em que ela trabalha? Quais são os hobbies dela?). Também é possível trabalhar lugares, objetos ou hobbies favoritos.

Prática em casa

Entregue ao paciente e/ou à família quadros de SFA e nosso guia rápido para apoiar a prática.
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Perguntas frequentes

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O que é a Análise de Traços Semânticos (SFA)?

Uma terapia de nomeação que fortalece as conexões entre palavras e significados por meio da exploração de traços (categoria, uso, ação, propriedades, localização, associação).
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Para quem a SFA é indicada?
Pessoas com afasia leve a moderada que conseguem expressar alguma informação sobre a palavra-alvo. O paciente precisa ter compreensão razoável para participar da atividade. A SFA pode ser adaptada para quadros mais graves. É mais indicada quando o paciente apresenta sinais de comprometimento semântico (por exemplo, comete erros semânticos ou se beneficia de pistas semânticas).

Ela ajuda todo mundo?
Nem sempre. Para candidatos adequados, é provável que haja melhora na nomeação dos alvos treinados; a generalização para alvos não treinados pode ser bastante limitada.
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Com que frequência? Quanto tempo devem durar as sessões?
A maioria dos estudos publicados sobre SFA (por exemplo, Boyle & Coelho, 1995; Boyle, 2004; Kiran & Thompson, 2003; Maddy et al., 2014) usou protocolos com sessões de 45 a 60 minutos, 2 a 3 vezes por semana, em um total de 10 a 20 sessões.
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Também dá para usar a SFA para trabalhar a nomeação de verbos?
Sim. As perguntas podem ser adaptadas para verbos. Por exemplo: “Quem faz isso?”, “Por que você faria isso?”, “Onde isso acontece?”, “Que parte do corpo ou ferramenta você usa?”.
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E se a palavra nunca vier?
A SFA pode ser valiosa mesmo que o paciente não consiga nomear a palavra-alvo depois de identificar os traços semânticos. Continuar trabalhando o alvo pode trazer melhoras. Além disso, praticar a SFA ensina o circunlóquio (falar em volta da palavra), uma estratégia de reparo útil mesmo quando a palavra não é evocada.
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Como familiares e cuidadores podem ajudar com a SFA?
Familiares e cuidadores podem apoiar a prática da SFA entre as sessões com o terapeuta. Use um cartão com as perguntas da SFA, dê tempo e elogie as pistas.
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O paciente deve gerar traços semânticos para todos os alvos ou só para aqueles que tem dificuldade em nomear?
Concentre o processo de SFA nas palavras que o paciente tem dificuldade em nomear.

Sobre o autor

Oli Cheadle é fonoaudiólogo da Cognishine, baseado no Reino Unido, e atua clinicamente na reabilitação pós-AVC, trabalhando com afasia, apraxia de fala, disartria e disfagia. Ele também é especialista na terapia da gagueira.
Ele mantém o The Aphasia Therapy Planner, um site que ajuda fonoaudiólogos a encontrar terapias adequadas para pacientes com afasia: www.aphasiatherapyplanner.weebly.com/
Oli também mantém o Stuttering Therapy Online (https://www.stutteringtherapyonline.com/), uma clínica particular de terapia e um centro de informações e guias sobre gagueira.

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Confira mais guias de terapia para afasia e recursos gratuitos da Cognishine:

Repensando a hierarquia na terapia da afasia: uma perspectiva baseada no TUF (Treatment of Underlying Forms)

Terapia de Entonação Melódica (MIT) para afasia: um guia para fonoaudiólogos

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Referências

Boyle, M., & Coelho, C. A. (1995). Application of Semantic Feature Analysis as a Treatment for Aphasic Dysnomia. American Journal of Speech-Language Pathology, 4(4), 94–98. https://doi.org/10.1044/1058-0360.0404.94
Boyle, M. (2010). Semantic feature analysis treatment for aphasic word retrieval impairments: What’s in a name? Topics in Stroke Rehabilitation, 17(6), 411–422. https://doi.org/10.1310/tsr1706-411
Maddy, K. M., Capilouto, G. J., & McComas, K. L. (2014). The effectiveness of semantic feature analysis: An evidence-based systematic review. Annals of Physical and Rehabilitation Medicine, 57(4), 254–267. https://doi.org/10.1016/j.rehab.2014.03.002
Efstratiadou, E. A., Papathanasiou, I., Holland, R., Masterson, J., & Hilari, K. (2018). A Systematic Review of Semantic Feature Analysis Therapy Studies for Aphasia. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 61(5), 1261–1278. https://doi.org/10.1044/2018_JSLHR-L-16-0330 (open-access author manuscript: City, University of London).
Wambaugh, J. L., Wright, S., & Mauszycki, S. (2014). Semantic feature analysis: Application to confrontation naming of actions in aphasia. Aphasiology, 28(1), 1–24. https://doi.org/10.1080/02687038.2013.845739
Kiran, S., & Thompson, C. K. (2003). The role of semantic complexity in treatment of naming deficits: Training atypical exemplars leads to generalization to typical exemplars. Aphasiology, 17(5), 389–406. (Open-access version available via PMC.)
See also: Kiran, S. (2007). Complexity in language learning and treatment. American Journal of Speech-Language Pathology, 16(1), 43–56. https://doi.org/10.1044/1058-0360(2007/002)
Freed, D., & Torstensen, K. (2013). A comparison of Semantic Feature Analysis and Promoting Aphasics’ Communicative Effectiveness for treating anomia in patients with aphasia. Paper presented at the Clinical Aphasiology Conference (Tucson, AZ). (Conference abstract/slides referenced online; appears not to be a peer-reviewed journal article.)

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